Julgue você mesmo

•outubro 7, 2009 • 7 Comentários

Janeiro de 2002, Almirante Tamandaré.

Quatro homens desembarcaram de uma viatura. Três deles estavam fardados, eu era um deles. Recém-formado policial militar, saia às ruas pela primeira vez para uma “missão especial”.

O quarto homem a descer da viatura nem parecia um homem, tal a sua franzidez corporal. E pela lei, não era. Dezessete anos, nove homicídios. O resto de sua ficha, recheada, também lhe garantia status o suficiente para ser respeitado entre os marginais de qualquer cela.

A sociedade usa a expressão “marginal” para designar aqueles que conduzem suas vidas à margem da lei. Nós os chamamos de “missão especial”.

Mundos opostos, jamais saberei seus motivos. Seria sua índole, algo escrito em seu DNA? Intrínseco em sua alma? Ou apenas mais uma vítima da sociedade, incapaz se conviver harmoniosamente com as centenas de “nãos” que uma vida humilde impõe?

Não me cabe julgar.

A dupla de policiais ao meu lado sorriu. O rapaz não. Aqueles eram dias estranhos em Tamandaré, coisas erradas aconteciam todo o tempo. Eles queriam lágrimas, súplicas. Ele não as deu. Não consegui odiá-lo por isso. Nem a eles.

Só a mim mesmo.

Cansados da brincadeira e indignados com a minha falta de senso de humor, me incumbiram de terminar a tarefa da qual não havia, em momento algum, tomado parte.

Afinal de contas, se aquilo era uma iniciação, eu não deveria me divertir.

Sem pensar, mirei nos olhos do rapaz. Mas não atirei.

Não ainda. Não com pressa. Continue lendo ‘Julgue você mesmo’

Notas de um Caderno Vermelho

•outubro 5, 2009 • 4 Comentários

Mais ou menos no mesmo espírito, embora abrangendo um tempo mais curto (um punhado de meses, em oposição à vinte anos), um outro amigo, M., me contou sobre um certo livro raro que ele vinha tentando localizar sem sucesso, vasculhando livrarias e catálogos em busca de uma obra supostamente notável, que ele queria muito ler, e como, certa tarde, enquanto andava pela cidade, ele tomou um atalho pela estação Grand Central, subiu a escada que vai dar na avenida Vanderbilt, e avistou uma jovem de pé junto à balaustra de mármore, com um livro nas mãos: Continue lendo ‘Notas de um Caderno Vermelho’

Vai sair do seu bolso

•setembro 17, 2009 • 3 Comentários

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“Danificar ônibus e estações tubo ou não pagar a passagem encarece a tarifa”. A gravação ecoa nos auto-falantes dos coletivos que circulam em Curitiba. Mas a mensagem precisa competir com os ruídos de motores, buzinas, mp3 players e celulares de fãs de hip hop. Sem falar nas cotoveladas e encoxadas nos ônibus sempre lotados. As empresas privadas de transporte comunicam que a população irá pagar seus prejuízos. A prefeitura nem precisa fazê-lo, já que são nossos impostos que pagam suas despesas. Continue lendo ‘Vai sair do seu bolso’

Apenas 1 teste…*

•setembro 12, 2009 • 1 Comentário

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Não tenho permissão para a tristeza, pois não posso permitir que me matem.
Às vezes até me dou ao luxo de distrações,
mas elas sempre caem por terra…
quando me lembro que minha força
provém do meu equilíbrio. Continue lendo ‘Apenas 1 teste…*’

Visão além do alcance

•setembro 8, 2009 • Deixe um comentário

Qualquer dia desses, quando entrar no Terminal do Capão da Imbuia, talvez você nem se dê conta disso, mas poderá ter ganho, ao menos por um segundo, a atenção de um vigilante par de olhos.

O emblema da Metropolitana, no ombro da farda azul escura, diz mais sobre ele que o nome impresso na tarjeta de identificação em seu peito. Porém, o que ele é não está ao alcance do seu olhar.

Protetor único de um terminal pelo qual circulam diariamente cerca de 200 mil pessoas. Esse é seu fardo, de uma responsabilidade e orgulho que talvez jamais confesse. A não ser por alguns instantes, num discreto ajeitar da boina disposta sobre sua cabeça, um pouco acima dos olhos mais atentos a circular pelo terminal da zona leste curitibana.

Sugestão de pauta

•setembro 8, 2009 • Deixe um comentário

Professor diz:

Isso abre margem para uma pauta factual sobre número de ocorrências ou variações em termos de segurança e na preservação do patrimônio. Por exemplo, será que existe uma época ou mesmo um horário em que o patrimônio fica mais vulnerável? Temos estatísticas de quanto isso onera o contribuinte? Isso vai parar no preço da tarifa? Sugestões ainda preliminares, claro, para uma possível pauta.

Um tema que pode render, sim…  de posse dos dados estatísticos, podemos mostrar como o vandalismo realmente prejudica a comunidade. Um exemplo? Delinquentes disfarçados de torcedores de futebol, que promovem arruaça sempre que se encontram nos terminais, onerando as empresas de transporte coletivos, que por sua vez repassam o prejuízo a população.

Só 1 exemplo.